Durante a HIMSS, houve uma apresentação do IHE Brasil (Integrating Healthcare Enterprise) e aproveitamos a oportunidade para fazer uma entrevista com Marcelo Rodrigues dos Santos, Diretor de integração de dados e soluções analíticas da philips healthcare transformation services e presidente do IHE Brasil.

O que é IHE? Qual a importância?

O IHE é uma organização sem fins lucrativos que fomenta a utilização de padrões para informática em saúde. Padrões são complexos por si só e não conversam entre si, então decidimos fomentar o uso através do fornecimento de guias de implementação. A comunidade escolhe um problema específico e os especialistas do IHE criam o material educativo com seleção de padrões mais adequados a partir do input recebido e estes guias são disponibilizados gratuitamente para todos os interessados. Ele foi criado para preencher um gap entre a existência dos padrões e da adoção, de fato, deles.

Ele já está presente em 11 países, e em 11 de setembro foi aprovada a criação do IHE Brasil. Os patrocinadores são a SBIS, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Exames de Imagens e o Datasus. E dele podem participar profissionais de saúde, de computação, interessados do governo, de empresas privadas.

Quais os próximos passos do IHE no Brasil?

Primeiro queremos formalizar a primeira diretoria, que será escolhida por indicação e, depois, determinar as regras internas. Após esta definição, começaremos os trabalhos para o Congresso Brasileiro de Informática Médica.

Que tipos de profissionais vocês colocarão na diretoria?

Os patrocinadores do IHE indicarão uma primeira diretoria para definição do estatuto. A própria diretoria elegerá os co-chairs. Uma pessoa focada nos usuários, ou seja, nos hospitais, clínicas e prestadores de serviços e outra nos vendedores da área de informática em saúde.

Por que você decidiu capitanear o projeto e qual o impacto esperado?

Sou  matemático e, atualmente, trabalho com interoperabilidade e soluções em saúde e vi no IHE uma instituição com foco em resolução de problemas de interoperabilidade, com envolvimento da comunidade, com participação aberta, sem cobranças financeiras.

Como são os problemas brasileiros em relação aos dos outros países onde o IHE se encontra?

Os problemas são muito parecidos em termos de estruturas. O Brasil precisa de extensões nacionais e o grande desafio será de fazer uma leitura comum à estrutura brasileira, pensar em que perfis se adequam a instituição e no que eles podem ajudar.