Em uma pesquisa divulgada pela Datafolha em março de 2014 com 2.109 pessoas, foi concluído que para 45% dos entrevistados, saúde é o tema de maior preocupação dos brasileiros, ficando na frente de questões como segurança (18%), corrupção (10%) e educação (9%). Esse resultado não é uma surpresa e reflete a grande dificuldade do país de oferecer um serviço de qualidade à população brasileira. Desde 2008, a questão da saúde do país é apontada como o maior ponto de preocupação da população, de acordo com outras edições da pesquisa.

A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é uma das soluções para resolver problemas de infraestrutura do sistema de saúde no Brasil e ainda ajudar a otimizar processos na parte de administração, nos cadastro de pacientes e resultados de exame, por exemplo. Está na Constituição do país que a Saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado. Isto faz com que os gastos e o orçamento da Saúde sejam cada vez maiores e mesmo assim são finitos. O aumento e o envelhecimento da população é outro ponto importante. Como a qualidade de vida em geral tem melhorado, temos uma população mais longeva. Todos estes aspectos pressionam a necessidade por recursos para atender as demandas da Saúde.

É aí que o uso de TICs deve necessariamente ter um papel central na resolução desta equação. Nos últimos anos a expectativa acerca do desempenho desses sistemas tem crescido. Porém, não se resolve a situação da saúde sem passar pelo uso adequado das TICs, e embora haja o reconhecimento da necessidade desse investimento, estas tecnologias, ainda hoje, representam apenas uma fração dos investimentos do setor.

A falta de investimentos nessa área se deve basicamente à necessidade do setor público em demonstrar à população as melhorias realizadas da maneira mais tangível possível. Para isto, políticas de longo prazo e que tenham impacto na gestão da saúde são essenciais. Compras e doações de ambulâncias e até mesmo de ampliações hospitalares – por exemplo, podem até aumentar a infraestrutura disponível, mas não melhoram a eficiência daquilo que já existe. No curto prazo, a sensação pode ser de melhoria nos serviços, mas a falta de investimento na eficiência da gestão destes recursos, que pode ser atingida com o uso de TI existente, minimiza o resultado do investimento realizado.

É verdade que é necessário identificar quais soluções de TI que melhor se aplicam à necessidade do País, capacitar os profissionais que irão lidar com elas, mensurar os resultados obtidos pela adoção e uso das tecnologias de informação pela rede de saúde e dos profissionais da área. Não há muitos estudos e dados que ajudem nesta direção. Porém iniciativas como a do  Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, que divulgou recentemente o TIC Saúde, realizado ao longo de 2013 com 1.685 estabelecimentos de saúde e 4.180 médicos e enfermeiros começam a tornar disponíveis dados e estatísticas fundamentais para definir a demanda necessária.

O levantamento apontou a que apesar de ser alta a presença de computadores (94%) e internet (91%) nos estabelecimentos de saúde, somente 25% destes possuem sistema de registros totalmente eletrônico. A integração destes sistemas e a disponibilização destas informações é o que vai permitir a melhor colaboração e coordenação de processos, com a consequente melhora da eficiência dentro dos estabelecimentos e ainda oferecer velocidade na tomada de decisão com o uso de tecnologias de Big Data, onde se pode identificar, com a captura de milhões de dados não tratados e agrupados de forma organizadas para serem analisados de forma agregada, entender tendências, fraudes, comportamentos, eficiências ou a falta dela, de forma muito mais rápida. E com isto reverter em melhores serviços e atendimento para a população.

Inúmeros são os casos onde o uso e aplicação de Tecnologias da Informação se reverteu em soluções e atendimento de melhor padrão para os usuários e a sociedade como um todo, revertendo o mito que tecnologia gera desemprego e pelo contrário, criando novos empregos e novas funções e qualificações que melhoraram a renda do trabalhador. O caso mais notório no Brasil foi a automação bancária que teve um papel fundamental na preservação do poder de compra do cidadão brasileiro, mitigando o impacto inflacionário que assolava o País na época. Este deveria ser o paradigma a ser seguido no Brasil: assegurar o direito à saúde, maximizado a melhor utilização dos recursos para este fim com o uso das tecnologias da informação.

Por isso, o desafio da área é transformar e dar visibilidade aos investimentos de TICs, ao mesmo tempo em que os resultados possam ser facilmente demonstrados não só aos administradores hospitalares, como também à população como ponto chave para a solução de um problema muito maior.